Em 2010, o mundo deve dispor de oito fontes principais de energia: solar, biomassa moderna, gás natural, hídrica, petróleo, carvão, lenha e eólica. A interação entre as diferentes matrizes de forma sustentável e as peculiaridades de cada uma são o tema do livro 202 Perguntas e Respostas sobre Biocombustíveis (Ed. Senac-DF, 324 páginas), do professor Luiz Vicente Gentil, da Faculdade de Agronomia da UnB.
A obra oferece um amplo leque de informações, e de fácil consulta, sobre a produção de energias renováveis, impactos ao meio ambiente, ética e civilização. “A matriz energética mundial e brasileira precisam ser aperfeiçoadas de forma urgente, não só pela questão do aquecimento global como pela geopolítica equivocada hoje em jogo no mundo ocidental”, diz Gentil.
No livro, ele analisa aspectos tecnológicos e econômicos dos 36 tipos de biocombustíveis produzidos no Brasil, e recomenda ações governamentais que garantam a liderança do país na geração de energia verde. Tudo escrito em formato de perguntas e respostas. Por exemplo: Qual a evolução da demanda mundial de energia? Qual a sinergia entre ética, energia e civilização? As biomassas brasileiras atendem a todos os mercados? Como seria um combustível perfeito? A energia das biomassas pode ser um fator decisivo para a humanidade?
Hoje, 29% da energia produzida no Brasil vem de fontes renováveis, enquanto que no resto do mundo esse índice é de 10%. “Nesta dança dos energéticos, vale dizer que as mudanças são feitas pelo preço mais baixo ou pela oportunidade de ter ou não aquela fonte de energia”, afirma o autor. Segundo Gentil, os desafios para expandir o uso de biocombustíveis são: criar uma logística de distribuição, reduzir os preços de produção, estimular a formação de cooperativas, estabelecer processos de certificação e melhorar a gestão das empresas que atuam na área.
Ele traça também um perfil de cada tipo de biocombustível, analisando suas fraquezas e potencialidades. O etanol, por exemplo, leva vantagem em relação ao biodiesel no que se refere a preço e grau de industrialização. Porém, o biodiesel tem uma sazonalidade maior, ou seja, sua produção é maior durante o ano. Já os resíduos agrícolas e o bagaço de cana têm mais dificuldade de armazenamento, industrialização e usabilidade, mas oferecem preço menor.
O conflito entre plantar cana-de-açúcar para gerar energia e plantar alimentos para consumo também é tratado no livro. Gentil desmistifica esse tema, mostrando que as duas produções crescem ano a ano, sem competir. “O Brasil tem terras de boa qualidade, de baixo preço e ociosas que, se entrassem no circuito produtivo, dariam para alimentar os povos da Índia, China e Europa”, afirma Gentil. “São 170 milhões de hectares à disposição para o plantio que, por insuficiência de conhecimento das coisas agronômicas, são chamadas de pastagens degradadas”.
Outra desmistificação é que os biocombustíveis não vão substituir completamente os combustíveis fósseis. Principalmente porque a diversidade reduz o risco de faltar energia para a sociedade e porque existem soluções mais apropriadas para cada tipo de necessidade.
Apesar de abordar aspectos relativos à produção, distribuição e venda dos biocombustíveis, o principal objetivo do livro é causar uma reflexão ética, segundo Gentil. “É preciso construir uma civilização mais moderna ao usar a energia, com indivíduos movidos não só pelo instinto de competição e sobrevivência, mas também pelo preceito básico do bem comum”, escreve o professor. “Energia não é apenas um meio de movimentar, mas sim um fim que suporta os valores da sociedade”.
Fonte: Ambiente Energia
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