A organização não-governamental Greenpeace, que defende o crescimento da geração limpa, está satisfeita com aprovação da Resolução Normativa 482/12 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permite aos consumidores instalarem equipamentos para geração distribuída de pequeno porte.
“É um fundamental que o governo crie um ambiente propício de incentivo”, analisa o coordenador local da campanha de clima e energia da ONG, Pedro Torres. O ambientalista ressalta que, apesar do passo dado, ainda existe um longo caminho a percorrer nesse sentido. “Precisamos regulamentar ainda a lei para as redes elétricas inteligentes”. Segundo ele, as smart grids possibilitariam um melhor monitoramento do que é produzido e consumido pelas residências.
Para Torres, a popularização da microgeração também depende do fomento financeiro para que as pessoas ou empresas comprem os módulos fotovoltaicos. “Queremos carnês, como os das Casa Bahia, para a venda de painéis”, sugere. Ele também destaca o potencial do segmento para a indústria nacional. "As placas vêm da Europa e da China. Sendo fabricadas aqui, elas serão mais acessíveis, além de contribuir com o fortalecimento da economia”.
O Greenpeace defende que o País pode ficar independente dos combustíveis fósseis até 2050, com a manutenção do parque atual de hidrelétricas e investimentos para o desenvolvimento da matriz somente em fontes eólica, biomassa e solar. “Temos uma Belo Monte perdida nos canaviais para ser explorada”, afirma o ativista.
Na matriz projetada pelo Greenpeace, o potencial das renováveis saltaria dos atuais 88% para 93%, levando em conta um cenário econômico otimista, com a geração hidrelétrica correspondendo a 45,65% da capacidade instalada. A fonte seria seguida pela eólica, com participação de 20,38%, e pela biomassa, com 16,6%. A geração solar representaria 9,26%. Os dados são de um estudo denominado “Revolução Energética”, desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).
“O sistema ideal considera, sim, o desenvolvimento da economia brasileira”, reforça o coordenador, que diz que o País não seria prejudicado pela escolha da matriz sustentável. “Ganham as distribuidoras com a eficiência, o consumidor no bolso, a indústria nacional e o governo, que não precisará fazer investimentos gigantescos”, defende Torres.
O Jornal da Energia conversou com o Greenpeace em visita ao navio Rainbow Warrior , durante a Rio+20, que acontece no Rio de Janeiro.
Fonte: Jornal da Energia 20/06
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