O governo brasileiro começa a avaliar a ideia de aumentar a alíquota do imposto de importação de equipamentos para a geração de energia eólica. Segundo o diretor do departamento de competitividade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alexandre Comim, a ideia veio à tona devido a um recente aumento da vinda de bens de capital para o setor, o que prejudica a indústria nacional.
"É importante frisar que hoje temos uma crise internacional de grandes proporções acontecendo. E alguns países que se destacaram nos últimos anos na produção desses equipamentos estão puxando a crise. O resultado é que esses fabricantes estão com dificuldades para vender em seus países e estão desovando estoques", explicou Comim, que conversou com o Jornal da Energia.
O técnico disse que essa "liquidação" de produtos eólicos "pode parecer vantajosa no curto prazo" por derrubar as tarifas de geração, mas que "o impacto no médio e longo prazo para a nossa indústria é muito grande". "Não queremos aproveitar essa promoção, queremos incentivar nossa indústria interna", apontou.
Comim ressaltou, porém, que a discussão "está em uma fase preliminar", de levantamento de dados e análise de quais peças poderiam ser taxadas. O diretor apontou que estão na mira do ministério as vendas externas "de vários países", mas que produtos do Mercosul não devem ser impactados por uma eventual medida contra importações.
O diretor geral da argentina Impsa Wind, Emílio Guiñazú, elogio o fato de o tema começar a ser estudado pelo governo. A companhia, que produz turbinas eólicas, está instalada em Pernambuco e é uma das que têm cumprido o índice de nacionalização exigido pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"Hoje estamos em um mundo extremamente complicado. Enfrentamos muitas vezes uma concorrência desleal de outras regiões. É muito importante sermos inteligentes, não fazer papel de bobo no mundo. E proteger uma indústria que está criando emprego aqui", analisou. O executivo também detacou que a Impsa já emprega mais de mil pessoas no País.
Tanto Comim, do MDIC, quanto Guiñazú, da Impsa, participam ao longo desta quinta e sexta-feira (16 e 17/8) de um encontro internacional em Porto de Galinhas, Pernambuco. Representantes do Brasil, Uruguai, Argentina e entidades como BNDES e Eletrobras estão à mesa para analisar o cenário regional para energia eólica e pensar uma política de integração efetiva no Mercosul.
Fonte: Jornal da Energia 16/08
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