quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Angra 3 acumula prejuízo de R$114 milhões até março

A equipe de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou, em visita às obras da usina nuclear Angra 3, que o cronograma de desembolso do empreendimento estaria incompatível com o andamento da execução física dos serviços, o que teria gerado custos indiretos excessivos. O relatório do órgão aponta que a usina nuclear acumulou prejuízo de R$114 milhões até março deste ano, podendo, nos próximos 12 meses, somar outros R$48,8 milhões em perdas, por conta da situação.
Com valor total do contrato estimado R$1,284 bilhão, segundo o levantamento, caso a execução da usina siga o mesmo ritmo, a expectativa é de que a situação se agrave, principalmente por seguir um critério de medição inadequado, além do atraso na execução das obras.
O documento aponta que no mês de março haviam sido executados 22,3% da obra e consumidos 33,7% do valor contratual. Considerando os custos diretos da obra, a Eletronuclear só havia realizado um terço do previsto no período- executou 22% das obras, enquanto a previsão era de 66%. Quanto à execução física, era esperado para aquele mês 65,45% de avanço, no entanto, a porcentagem executada era de aproximadamente 32%.
Quatro motivos foram identificados pela equipe de auditoria como causadores do retardamento do cronograma: casos fortuitos, como greves e chuvas além do previsto; o atraso por culpa da contratada, por conta da mobilização insuficiente e falhas logísticas; a demora na emissão de licenças de construção pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), além atrasos por culpa da Eletronuclear.
Entre os casos com maior problema estão os edifícios do Reator e Annulus, que integram o caminho crítico da obra com atraso da ordem de 350 dias. Os técnicos do TCU apontam que parte da culpa na demora da emissão das licenças para a construção dos prédios nucleares pode ser atribuído à própria Eletronuclear, uma vez que as solicitações, mediante a apresentação dos documentos necessários, não estão sendo realizadas em tempo hábil.
A análise revela, ainda, que os atrasos podem crescer, já que a Eletronuclear está aumentando o volume de solicitações, e a Cnen não possui recursos suficientes para atender esse incremento.
Em nota, a Eletronuclear declara que a expectativa é de que Angra 3 comece a produzir energia em julho de 2016, frente a previsão anterior de dezembro de 2015. “Essa avaliação preliminar do cronograma executivo do empreendimento deve-se, principalmente, à diferença entre a data planejada originalmente para o início da montagem eletromecânica (maio de 2012) e a previsão atual (dezembro de 2012)”.
Segundo a estatal, ao final de agosto de 2012, considerando o progresso físico individual, o empreendimento apresentou um progresso físico global realizado de 41,3%, sendo que no cronograma Executivo geral do empreendimento, o percentual planejado para a mesma data corresponde a 59,4%.
A empresa ressalta que mensalmente encaminha ao Departamento de Monitoramento do Sistema Elétrico(MME), Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração (Aneel), diretoria de geração (Eletrobras) e BNDES o Relatório de Acompanhamento Mensal do Empreendimento Angra 3.
Fonte: Jornal da Energia 26/09

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