A Renova Energia, que concluiu a instalação de 294MW em usinas eólicas na Bahia, acredita que o setor de geração a partir dos ventos vai entrar em uma nova etapa no Brasil. Se houve a fase do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), com as primeiras plantas, e da a realização dos primeiros leilões para a contratação de usinas da fonte, a partir de 2009, agora é hora de os projetos começarem a produzir.
"A gente acredita muito que nessa era moderna do setor eólico você vai começar a entender quem são os bons empreendedores e quem são os maus. Quem economizou e não fez um bom projeto de engenharia", comenta Pedro Pileggi, diretor financeiro da companhia. Segundo ele, farão diferença questões como qualidade de fornecedores, detalhes das instalações elétricas, manutenção e escala.
"Estamos certos de que daqui uns três anos o mercado todo...financiadores, investidores...todos vão conseguir separar quem opera bem e quem não", reitera Pillegi. Ele ainda diz que, até por isso, "não é preciso pensar muito para achar que tem potencial para uma consolidação do setor acontecer".
"A barreira de entrada lá no começo era muito baixa. Se você tinha um vento bom, colocava uma torre de medição e tinha um projeto. Foi um momento em que os estrangeiros, grandes conhecedores da área, não estavam. Então hoje você tem 50, 100 empreendedores com algum tipo de contrato de venda de energia que são (players) pequenos. Que talvez não tenham a vocação de capital intensivo que o setor demanda. Além disso tem outro fator, que é escala", comenta o diretor.
Para exemplificar, Pileggi conta que a Renova já instalou 184 turbinas na mesma região. E lembra que, em eólicas, os equipamentos podem ser os mesmos em todas essas usinas. Diferente das hidrelétricas, em que as unidades geradoras são feitas por encomenda. "Quanto maior a escala, melhores as negociações que você consegue. Isso garante que você tenha retornos maiores".
O executivo comenta que, dentro de uma possível consolidação, a Renova estará constantemente analisando as opções. Mas aponta que, ao menos por enquanto, o crescimento orgânico tem prometido lucros melhores. Ele revela, inclusive, que o retorno eólico "ainda é muito bom, bastante superior ao que a gente vê em outras áreas do setor elétrico".
Mas, como a competição reduziu um pouco as margens, uma opção para ganhar rentabilidade hoje é o mercado livre. A Renova já fechou a venda de energia para a Light e viabilizou 400MW em usinas que entregarão a produção no ACL a partir de 2015 e 2016. Pillegi prefere não comentar muito os planos nesse caminho, mas deixa escapar que a construção de eólicas para os chamados "autoprodutores" é "com certeza" uma ótima opção.
Esses players são empresas que consomem tanta energia que se torna viável construir usinas próprias. "O grupo de clientes autoprodutores não é muito numeroso, mas muitos já perceberam que esse arranjo eólico pode ser a energia mais barata que eles terão no mercado".
Fonte: Jornal da Energia 31/08
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