quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Energias Renováveis: Brasil na contramão da História

Em Exame.com leio que no Salão do Automóvel de Paris fica nítido que as principais montadoras do mundo não param de investir em veículos mais limpos e com menor consumo de combustível. O fato é que os modelos “verdes” já são astros obrigatórios nos grandes salões de automóveis. A maior parte dos carros combinam um motor a combustão e outro elétrico. Sem fazer “merchandising”, mas usando como exemplo, o Renault Zoe é “o primeiro modelo da marca francesa exclusivamente concebido para ser 100% elétrico e chega ao mercado europeu custando a partir de 20 mil euros. Ele vem equipado com um motor elétrico de 88 cavalos de potência, que garantem velocidade máxima de 135km/h e uma autonomia de 210 km”.
Enquanto isto, aqui em terras tupiniquins, Belo Monte e outras usinas hidrelétricas vivem no vai-e-vem de batalhas jurídicas, licenças ambientais, questões ecológicas e sociais. Outrossim, o debate sobre a segurança das usinas nucleares continua em fase acadêmica, adiando eternamente qualquer ação efetiva. A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), autarquia federal vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, apresentou seu planejamento institucional para o período 2012-15, que é absurdamente risível, tamanhas as limitações de recursos disponíveis ou de ambições de ordem prática.
De outra parte, os jornais do final de semana mostram que quase metade das usinas eólicas licitadas no primeiro leilão de energia eólica está pronta, mas sem poder gerar um único megawatt de eletricidade. 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados, por conta da falta de linhas de distribuição. As desculpas vindas da agência reguladora responsável (ANEEL) parecem as de treinador de equipe de futebol depois de derrota: “Houve um descasamento entre a entrega das usinas e do sistema de transmissão”. Que singelo! Se as obras fossem iniciadas agora (!?) alguns dos parques somente entrariam em operação em julho de 2013… A “culpa” maior é da estatal CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), do Grupo Eletrobrás, que não honrou o compromisso para a construção dos sistemas de transmissão. Sendo estatal, vamos reclamar com quem?
Este problema com transmissão e distribuição é o mesmo que emperra o desenvolvimento da cogeração de energia elétrica a partir da biomassa. Mas se formos escrever sobre isto aqui, inevitavelmente vamos cair na questão do etanol e a falta de uma regulação efetiva e aceitável para um produto que já foi, recentemente, responsável por mais da metade da matriz energética veicular do Brasil. Nos dias de hoje, importa-se volumes recordes de gasolina pois os investimentos no setor sucroalcooleiro ficaram para trás, muito por conta da falta de regras claras para o segmento, além de um absurdo controle dos preços máximos dos combustíveis.
Com tudo isto, vamos perdendo o bonde da História da energia limpa, apesar de termos um País onde abundam – mais do que qualquer outro - todas as possibilidades de ser o maior produtor de energias renováveis do planeta. Pena!
Fonte: Exame.com 21/10

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