domingo, 22 de julho de 2012

De olho na microgeração, investidores europeus desembarcam no Brasil

Empresas europeias ligadas ao setor de geração eólica e fotovoltaica estão escolhendo o Brasil para sediar seus primeiros negócios na América Latina. O que atrai os investidores são as perspectivas locais favoráveis, que vão na contramão do cenário europeu, de crise e corte de subsídios à energia limpa.
Um dos casos é a belga Windeo Green Futur, que desenvolve projetos voltados principalmente a sistemas de geração de até 100 kW. A companhia acaba de inaugurar uma filial local de olho nesse mercado, da chamada microgeração.
A recente aprovação de resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permitindo aos consumidores a instalarem equipamentos para geração distribuída de pequeno porte anima o diretor operacional da Windeo no Brasil, Alexandre Bretzner, que acredita que não haverá entraves para o desenvolvimento local. “As concessionárias terão um bom prazo para começara a atender a demanda dos clientes”, comenta o executivo, que participou da feira EnerSolar Brasil, nesta quarta-feira (11).
O diretor analisa que a aprovação de uma regulamentação foi o primeiro passo para que a minigeração deslanche por aqui, sendo necessária agora a adoção de políticas de incentivo. “É importante que o nosso cliente final tenha acesso a financiamentos”, exemplifica. A princípio, a Windeo trará equipamentos de fora para implantar seus sistemas, que utilizam, além de painéis fotovoltaicos, mini torres eólicas. Futuramente, porém, a empresa pretende encontrar fornecedores locais e se expandir.
“Em 2013, pretendemos abrir franquias", adianta Bretzner. Embora tenha representantes comerciais em países como os Estados Unidos e a China, a operação no Brasil será a primeira matriz da Windeo fora da Europa e de países de colonização francesa. Aspesar da crise internacional, a empresa espera ver o faturamento saltar dos 26 milhões de euros para 40 milhões de euros em 2012.
A portuguesa Ecopower trilha caminho semelhante e deve entrar no mercado brasileiro em 2013, conforme conta ao Jornal da Energia o CEO da companhia, Raul Assunção. “Fomos os primeiros trabalhar com micro e minigeração em Portugal”, afirma. Ele acrescenta que a empresa procura investidores locais para o desenvolvimento de uma rede comercial que fornecerá soluções para geração distribuída no Brasil.
O cálculo é de que sejam necessários R$5 milhões para desenvolver o negócio, que começará a partir da região Sudeste. “É o mercado mais importante, mas pretendemos também ir ao Nordeste com um filial”, acrescenta Assunção. O CEO também considera que os incentivos são importantes para alavancar o segmento. “Isenções fiscais são bem-vindas”, diz, ao citar também os financiamentos para o público final.
A Ecopower é especializada não só em painéis fotovoltaicos, mas também em sistemas eólicos. A empresa implantou uma planta a vento de 1 MW na Espanha, além de ter instalado cerca de 400 sistemas fotovoltaicos em Portugal desde a sua fundação, em 2008. Também participou da implantação de 50 MW em cogeração, em parceria com a GE, em Portugal. A companhia ainda não saiu da Europa, tendo sido o Brasil o primeiro lugar escolhido para sua expansão fora do continente.
Outra das que pretendem aportar no País é a italiana FVG Energy, especializada na produção de painéis e no gerenciamento de sistemas fotovoltaicos. “Pretendemos encontrar parceiros para iniciar um negócio brasileiro”, conta Maurizio Ganis, diretor de negócios da companhia. O executivo acredita na possibilidade da italiana ter algo por aqui até o final deste ano.
“A América do Sul tem potencial para desenvolvimento”, destaca o diretor, para quem o próximo destino para estudo de mercado é o Chile. O negócio da FVG possui corpo em vários continentes. Para se ter uma ideia, a italiana tem filiais em Londres e na Austrália, além de fábricas na Bulgaria e na China.
A microgeração ainda atraiu a espanhola Eurener, que produz painéis fotovoltaicos. Hoje presente em seu país de origem e em Portugal, a companhia anunciou a abertura de escritório comercial em São Paulo. Equador e Chile também são alvos de novas representações dos fabricantes, que apostam forte na Améria Latina.
Fonte: Jornal da Energia 12/07

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