quinta-feira, 30 de agosto de 2012

WWF divulga estudo sobre fontes alternativas de energia elétrica

A WWF Brasil lançou um relatório sobre como é possível aproveitas as fontes renováveis alternativas do país para gerar energia elétrica. O estudo mostra que o potencial de aumento da participação da energia eólica, biomassa e pequenas centrais hidroelétricas é de 40%.
A pesquisa, intitulada “Além de grandes hidroelétricas: políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil”, mostra que, quando bem utilizadas, as fontes alternativas de energia podem provocar impactos ambientais muito menores em relação às grandes hidroelétricas, sem causar necessariamente um aumento de custo na produção.

Veja abaixo uma entrevista com Carlos Rittl, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF Brasil:
Atitude Sustentável: Qual o objetivo da WWF com o relatório “Além de grandes hidroelétricas: Políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil”?
Carlos Rittl: Nós queremos contribuir para o debate sobre energia no Brasil, sobre nossa matriz de eletricidade e sustentabilidade. O fato de nossa matriz de eletricidade ser predominantemente renovável não significa que ela seja sustentável. Grandes projetos hidrelétricos, como as usinas em construção e projetadas para a Amazônia, provocam grandes impactos socioambientais. Energia nuclear é cara e perigosa. O carvão mineral gera impactos desde sua exploração até o uso final para geração de energia, em emissões de gases de efeito estufa. Temos alternativas a nosso dispor, um grande potencial subaproveitado de energia eólica, energia de biomassa de cana-de-açúcar, de pequenas centrais hidrelétricas e de energia solar fotovoltaica. Se houver planejamento adequado, resultante de um zoneamento robusto, com definição de áreas cujo potencial será aproveitado e outras que serão preservadas devido aos riscos socioambientais na implementação de projetos a partir daquelas fontes, poderemos atender uma parte significativa da demanda por eletricidade do país a partir destas fontes de menor impacto. E elas fontes podem deixar de ser apenas alternativas. Nosso estudo oferece caminhos ao alcance dos tomadores de decisão para aumentar o uso destas fontes no país e mostra que o Brasil só tem a se beneficiar se nosso Governo decidir fazê-lo.

Atitude Sustentável: De que maneiras as políticas públicas podem interferir na produção das fontes renováveis alternativas de energia?
Carlos Rittl: Políticas públicas são fundamentais para a mudança do contexto atual de nossa matriz elétrica. As experiências de outros países, como Alemanha, Espanha, dentre vários outros, mostram que políticas positivas bem estruturadas trazem resultados positivos não só do ponto de vista ambiental, mas também econômico e social. No Brasil, o poder público tem papel crítico na definição do futuro desta matriz. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, tem dentre suas responsabilidades a execução de estudos para o planejamento da expansão do setor elétrico, tanto no que se refere à geração de energia quando à transmissão, e de estudos de viabilidade técnico-econômica de empreendimentos. Havendo decisão política por parte do Governo Federal, da Presidência da República, em favor do maior aproveitamento do potencial ocioso das fontes chamadas de alternativas, através da definição de políticas de incentivo, fomento, o direcionamento de subsídios positivos a estas fontes, e definição de metas ambiciosas para sua expansão, podemos revolucionar a matriz elétrica do país.
Fonte: Atutude sustentavel - UOL - 27/08

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